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PME portuguesas estão atrás da Europa no digital, diz Bruxelas

As PME portuguesas estão abaixo da média europeia em IA e cloud, dizem Bruxelas e o INE. Vê os números, onde há oportunidade e um plano digital de 90 dias.

Equipa N2A Digital
Publicado: 8 min de leitura
Casario colorido da Ribeira do Porto junto ao rio Douro num dia de sol
Casario colorido da Ribeira do Porto junto ao rio Douro num dia de sol / Imagem: Unsplash

A Comissão Europeia publicou este ano o relatório sobre o Estado da Década Digital 2026, com uma ficha dedicada a Portugal e dados referentes a 2025. A conclusão para as empresas é clara: as PME portuguesas melhoraram, mas continuam abaixo da média europeia em quase tudo o que mexe com produtividade, sobretudo inteligência artificial (IA) e cloud.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) conta uma história parecida. Nos dados publicados a 21 de novembro de 2025 (a próxima edição deverá sair por volta de novembro de 2026), só 11,5% das empresas portuguesas usam IA, e mais de um terço continua sem site.

Se tens uma PME, isto não é só estatística. É um retrato do terreno onde competes: os teus concorrentes também estão atrasados, o que quer dizer que quem avançar agora ainda chega a tempo de se destacar.

Resumo rápido

  • Segundo Bruxelas, 63,94% das PME portuguesas têm pelo menos intensidade digital básica, contra 71,39% na UE. A meta nacional é 90% em 2030.
  • Só 10,66% das PME portuguesas usam IA (UE: 18,9%) e 33,17% usam cloud (UE: 45,74%).
  • Em análise de dados, Portugal está à frente: 44,11% contra 38,59% na UE.
  • Segundo o INE, 62,9% das empresas têm site e só 16,9% vendem online. Aqui está a maior oportunidade para quem se mexer primeiro.

Os números: Portugal vs União Europeia

Estes são os indicadores do relatório da Comissão Europeia que mais interessam a uma PME:

Indicador (dados de 2025) Portugal Média UE
PME com pelo menos intensidade digital básica 63,94% 71,39%
PME que usam inteligência artificial 10,66% 18,9%
PME que usam serviços de cloud 33,17% 45,74%
PME que fazem análise de dados 44,11% 38,59%
Pessoas com pelo menos competências digitais básicas 59,15% meta UE: 80% em 2030

"Intensidade digital básica" é um indicador europeu que mede se a empresa usa um conjunto mínimo de tecnologias (por exemplo, vendas online, cloud, redes sociais ou software de gestão). Em 2023, Portugal estava nos 53,61%, por isso houve uma subida real. Mas a meta nacional é chegar aos 90% até 2030, e faltam pouco mais de quatro anos.

O ponto positivo é a análise de dados, onde Portugal supera a média europeia. Muitas PME já olham para números. O problema é que ainda não os ligam a ferramentas que automatizam e aceleram o trabalho.

Bandeiras da União Europeia em mastros
O relatório da Década Digital compara Portugal com a média europeia. / Imagem: Unsplash

O que diz o INE sobre IA, sites e vendas online

O inquérito do INE sobre a utilização de tecnologias nas empresas acrescenta detalhe ao retrato:

  • IA: 11,5% das empresas usam pelo menos uma tecnologia de IA, mais 2,9 pontos percentuais do que no ano anterior.
  • Para que usam a IA: análise de linguagem escrita (59,4%), geração de imagem, vídeo ou áudio (50,9%) e geração de texto ou código (45,6%).
  • Onde a usam: processos de administração e gestão (40,8%) e marketing e vendas (36,9%).
  • Presença online: 62,9% têm site e 63,8% usam redes sociais.
  • Vendas online: só 16,9% das empresas fizeram vendas através da web. O comércio eletrónico (incluindo trocas eletrónicas entre empresas) pesou 20,6% do volume de negócios, cerca de 83,9 mil milhões de euros, mais 9,8% num ano.

Nota: os números do INE e da Comissão não são exatamente iguais porque medem universos ligeiramente diferentes. Ainda assim, apontam todos no mesmo sentido.

Do lado dos consumidores, o INE indica que 89,5% das pessoas entre os 16 e os 74 anos usaram internet, 49,6% compraram online e 38,7% já usaram ferramentas de IA. Ou seja, os teus clientes estão mais digitais do que a maioria das empresas que os servem.

Onde está a oportunidade para a tua PME

Se juntares as peças, aparecem três brechas evidentes:

  1. Cerca de 37% das empresas não têm site. Num mercado em que metade dos portugueses compra online, não ter site é deixar a primeira impressão nas mãos do Google Maps ou de um concorrente.
  2. Só cerca de 17% vendem online. Uma loja de vinhos em Braga ou uma marca de cerâmica em Caldas da Rainha que abra um canal de vendas online simples entra num espaço com pouca concorrência local.
  3. A IA ainda é rara. Com 1 em cada 10 PME a usar IA, um restaurante em Lisboa que responda a reservas com um assistente bem configurado, ou uma clínica no Porto que automatize lembretes de consulta, ganha tempo e serviço que os vizinhos não têm.

Nada disto exige grandes investimentos. Cloud, hoje, é muitas vezes só passar o e-mail, os ficheiros e a faturação para serviços online com subscrição mensal. A IA pode começar com ferramentas generalistas aplicadas a tarefas concretas, como respostas a e-mails, descrições de produtos ou resumos de reuniões. Se a língua te preocupa, vale a pena acompanhar o Amália, o modelo de IA em português de Portugal.

Dono de uma loja de bairro à porta do estabelecimento
Mais de um terço das empresas portuguesas continua sem site, segundo o INE. / Imagem: Unsplash

O que o Estado está a fazer (e porque não deves esperar)

Segundo o relatório europeu, o roteiro nacional para a Década Digital tem 157 medidas e um orçamento de 2,1 mil milhões de euros. Mas 62% dessas medidas terminam até ao final de 2026, muito ligadas ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Portugal aprovou também o Pacto para as Competências Digitais, com um plano de ação para 2026 a 2030 que inclui formação de trabalhadores de PME.

Há apoios, mas o calendário está a mudar com o fim do PRR. Explicamos onde procurar no artigo O PRR acabou: onde estão os apoios à digitalização. A mensagem principal é simples: não deixes o teu plano digital à espera de um aviso de candidatura.

O que fazer agora: plano digital de 90 dias

Um plano realista para uma PME com 5 a 50 pessoas:

Dias 1 a 15: diagnóstico

  • Lista as ferramentas que usas hoje (e-mail, faturação, folhas de cálculo, redes sociais).
  • Identifica as 3 tarefas que mais tempo roubam à equipa todas as semanas.
  • Vê como o teu negócio aparece no Google: site, Perfil de Empresa, avaliações.

Dias 16 a 30: base online

  • Se não tens site, cria um simples, rápido e pensado para telemóvel, com contactos, serviços e prova social.
  • Atualiza o Perfil de Empresa no Google e as redes onde os teus clientes estão.

Dias 31 a 50: cloud

  • Passa ficheiros, e-mail e agenda para serviços cloud com partilha pela equipa.
  • Garante cópias de segurança e acessos com autenticação em dois passos.

Dias 51 a 75: primeiro caso de IA

  • Escolhe uma tarefa repetitiva (respostas frequentes, propostas, conteúdos) e testa uma ferramenta de IA durante 3 semanas.
  • Mede o tempo poupado. Se compensar, documenta o processo. Para ideias mais avançadas, lê a corrida dos agentes de IA nas empresas.

Dias 76 a 90: vender ou captar online

  • Abre um canal: loja online, marcações online ou formulário de pedido de orçamento ligado ao WhatsApp.
  • Define 2 ou 3 indicadores (pedidos, vendas, tempo de resposta) e revê-os todos os meses.

Perguntas frequentes

O que é a intensidade digital básica de uma empresa?

É um indicador europeu que mede se uma empresa usa um conjunto mínimo de tecnologias, como vendas online, cloud, redes sociais ou software de gestão. Segundo o relatório da Comissão Europeia sobre a Década Digital 2026, com dados de 2025, Portugal subiu de 53,61% das PME em 2023 para 63,94%, ainda abaixo da média europeia. A meta nacional é chegar aos 90% até 2030.

Para que usam as empresas portuguesas a inteligência artificial?

Sobretudo para analisar texto escrito. Segundo o INE, os usos mais comuns são a análise de linguagem escrita (59,4%), a geração de imagem, vídeo ou áudio (50,9%) e a geração de texto ou código (45,6%). As áreas onde mais a usam são a administração e gestão (40,8%) e o marketing e vendas (36,9%). No total, só 11,5% das empresas usam pelo menos uma tecnologia de IA.

Digitalizar uma PME exige um grande investimento?

Não necessariamente. Passar para a cloud é, muitas vezes, só mudar o e-mail, os ficheiros e a faturação para serviços online com subscrição mensal. A IA pode começar com ferramentas generalistas aplicadas a tarefas concretas, como respostas a e-mails, descrições de produtos ou resumos de reuniões. O mais importante é começar pelo que mexe na faturação: ser encontrado, responder depressa e facilitar a compra.

Há apoios públicos para a digitalização das PME em Portugal?

Há, mas o calendário está a mudar. Segundo o relatório europeu, o roteiro nacional para a Década Digital tem 157 medidas e um orçamento de 2,1 mil milhões de euros, mas 62% dessas medidas terminam até ao final de 2026, muito ligadas ao PRR. Portugal aprovou também o Pacto para as Competências Digitais, com um plano de ação para 2026 a 2030 que inclui formação de trabalhadores de PME. Vê onde procurar apoios à digitalização.

O que recomendamos na N2A

Os números de Bruxelas e do INE mostram um país a meio caminho. Para uma PME, isso é uma vantagem: ainda dá para te destacares com passos simples, desde que sejam feitos com método e medidos. Começa pelo que mexe na faturação, que normalmente é ser encontrado, responder depressa e facilitar a compra. Só depois avança para projetos mais complexos.

Se quiseres ajuda para montar o teu plano de 90 dias, desde o site e o Google até às automações com IA, vê os nossos serviços ou fala connosco.

Fontes

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