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Tráfego do Google para os media caiu 40%. E para o teu negócio?

O tráfego do Google para sites de notícias caiu 40% num ano, diz a Chartbeat. Vê o que significa para a tua PME e o que fazer para não depender da pesquisa.

Equipa N2A Digital
Publicado: 8 min de leitura
Pessoa a ler um jornal em papel ao lado de um portátil aberto
Pessoa a ler um jornal em papel ao lado de um portátil aberto / Imagem: Unsplash

O tráfego que a Pesquisa Google envia para sites caiu 40,2% entre julho de 2025 e julho de 2026. O número é da Chartbeat, empresa de análise de audiências usada por grandes órgãos de comunicação social, e consta do relatório "2026 Publisher Playbook", publicado a 24 de setembro de 2026. No ano anterior, a queda tinha sido de 21,9%. Ou seja, está a acelerar.

O Google Discover, o feed de notícias que aparece no telemóvel, também caiu 34,3%. E o tráfego vindo de ferramentas de IA, como o ChatGPT, ainda é praticamente nulo: cerca de 0,01% do total.

Antes de entrares em pânico, há um ponto importante: estes dados vêm sobretudo de sites de notícias. Para uma clínica no Porto, um restaurante em Lisboa ou uma loja online, o Google continua a ser uma fonte de clientes. Mas a tendência é real, e há coisas que deves fazer já.

Resumo rápido

  • Segundo a Chartbeat, as visitas vindas da Pesquisa Google caíram 40,2% num ano na sua rede de editores, e o Discover caiu 34,3%.
  • A amostra é dominada por sites de notícias, cujo conteúdo é sobretudo informativo, o mais afetado pelos resumos de IA.
  • Cresceram o tráfego direto e a partilha privada (WhatsApp, email, mensagens).
  • Para uma PME, a resposta é diversificar canais, apostar em pesquisas com intenção comercial e medir no Search Console.

O que diz o relatório da Chartbeat

Os principais números, comparando julho de 2024 com julho de 2026:

Indicador Antes Agora
Variação anual das visitas da Pesquisa Google -21,9% (ano anterior) -40,2% (jul. 2025 a jul. 2026)
Variação anual das visitas do Discover -6,6% (ano anterior) -34,3%
Peso da Pesquisa Google nas visualizações 9% (jul. 2024) 5% (jul. 2026)
"Dark social" (partilhas privadas) 7,1% 11,3%
Tráfego direto 13,5% 15,9%
Visitas vindas de ferramentas de IA quase nulas cerca de 0,01% (8 vezes mais)

O "dark social" é o tráfego que chega por canais difíceis de rastrear: um link enviado no WhatsApp, por email ou numa mensagem privada. Segundo a Chartbeat, o tráfego vindo de IA cresceu oito vezes em dois anos, mas continua minúsculo.

Outro dado interessante: os leitores fiéis (os que visitam um site em pelo menos 8 de 16 dias) mantiveram-se estáveis. Quem caiu foram os leitores novos (menos 14%) e os que regressam de vez em quando (menos 8%). Ou seja, o Google está a trazer menos gente nova, mas quem já te conhece continua a voltar.

Ecrã com um gráfico de linhas de visitas a um site num painel de análise
Nos sites de notícias, a Pesquisa Google passou de 9% para 5% das visualizações em dois anos. / Imagem: Unsplash

Atenção: são dados de sites de notícias

O relatório analisa a rede de clientes da Chartbeat, que é dominada por editores de notícias e media. Isto importa por duas razões.

Primeiro, um jornal vive de pesquisas informativas: "o que aconteceu", "quem é", "como funciona". São exatamente as perguntas a que os AI Overviews (os resumos gerados por IA no topo dos resultados) e o AI Mode já respondem sem que a pessoa precise de clicar.

Segundo, uma PME vive sobretudo de pesquisas com intenção comercial ou local: "dentista Porto", "restaurante sushi Lisboa", "comprar vestido de cerimónia online". Nestas, a pessoa quer marcar, comprar ou ligar. O clique continua a fazer falta.

Não há, nestes dados, uma medida equivalente para PME. Por isso, não assumas que o teu site perdeu 40%. Vai ver os teus números.

Porque é que os cliques estão a desaparecer

O motivo principal são as respostas geradas por IA dentro do próprio Google. O AI Mode está disponível em Portugal desde outubro de 2025 e os AI Overviews aparecem cada vez mais em pesquisas informativas. Se a resposta já está no ecrã, muita gente não clica.

O Discover caiu quase tão depressa como a pesquisa, o que mostra que o problema não está só nos resultados de pesquisa. E as próprias ferramentas de IA, como o ChatGPT ou o Gemini, não compensam a perda: segundo a Chartbeat, valem cerca de 0,01% das visitas.

O efeito é um funil mais estreito no topo. Menos pessoas chegam ao teu site por curiosidade. As que chegam vêm mais decididas.

Ícone da app Mail num telemóvel, ao lado de apps de notícias
O tráfego direto e as partilhas por email e mensagens foram os canais que cresceram. / Imagem: Unsplash

O que fazer agora

  1. Mede antes de mudar. No Google Search Console, compara os cliques orgânicos de julho de 2026 com julho de 2025 e separa as páginas informativas das comerciais. Vê também as impressões em AI Overviews e AI Mode, como explicamos no artigo sobre os relatórios de IA do Search Console.
  2. Aposta no conteúdo com intenção comercial. Páginas de serviço, preços, comparações, perguntas antes da compra. São as que a IA resume pior e que mais trazem contactos.
  3. Otimiza para seres citado (GEO). GEO, ou otimização para motores generativos, é escrever para que a IA te use como fonte: respostas claras logo no início, dados concretos, autor identificado, páginas atualizadas.
  4. Reforça o SEO local. Para negócios com morada, o Perfil de Empresa no Google continua a pesar muito. Segue o nosso guia de SEO local em Portugal.
  5. Constrói canais próprios. Newsletter, lista de email, WhatsApp, comunidade nas redes sociais. É o tráfego "direto" e "dark social" que está a crescer, e não depende de algoritmos.
  6. Usa UTM em tudo o que partilhas. Links com parâmetros UTM no WhatsApp, email e redes permitem ver no Google Analytics 4 o que hoje aparece como tráfego direto.
  7. Usa anúncios como complemento. Google Ads e Meta Ads garantem visibilidade quando o orgânico oscila. Compara as duas opções em Google Ads vs Meta Ads.

Como ler os teus números sem entrar em pânico

Uma queda de tráfego não é necessariamente uma queda de negócio. Se o teu blog perdeu visitas em artigos do tipo "o que é", mas as páginas de serviço mantêm os contactos, o impacto real é pequeno. O que interessa é quantos pedidos de orçamento, marcações e vendas o site gera.

No Google Analytics 4, separa utilizadores novos de recorrentes. Se os novos caem e os recorrentes se mantêm, estás a viver o mesmo que os jornais: menos descoberta, mesma fidelidade. A solução passa por mais canais de descoberta (anúncios, redes, parcerias) e por converter melhor quem já te visita.

Perguntas frequentes

O ChatGPT envia visitas para os sites?

Muito poucas, por agora. Segundo a Chartbeat, as visitas vindas de ferramentas de IA, como o ChatGPT ou o Gemini, valem cerca de 0,01% do total na sua rede de editores. Cresceram oito vezes em dois anos, mas continuam minúsculas e não compensam a perda de visitas vindas da Pesquisa Google. Para já, não contes com as ferramentas de IA como fonte de tráfego.

O que é o dark social?

É o tráfego que chega por canais difíceis de rastrear, como um link enviado no WhatsApp, por email ou numa mensagem privada. Segundo a Chartbeat, o dark social passou de 7,1% para 11,3% na sua rede de editores entre julho de 2024 e julho de 2026. Para o medires melhor, usa links com parâmetros UTM no WhatsApp, no email e nas redes: assim vês no Google Analytics 4 o que hoje aparece como tráfego direto.

Como sei se o meu site está a perder tráfego do Google?

Compara os cliques orgânicos no Google Search Console, por exemplo julho de 2026 com julho de 2025, e separa as páginas informativas das comerciais. Vê também as impressões em AI Overviews e AI Mode nos relatórios de IA do Search Console. No Google Analytics 4, separa utilizadores novos de recorrentes: se os novos caem e os recorrentes se mantêm, o Google está a trazer menos gente nova.

Menos tráfego no site significa menos clientes?

Não necessariamente. Se o teu blog perdeu visitas em artigos do tipo «o que é», mas as páginas de serviço mantêm os contactos, o impacto real é pequeno. O que interessa é quantos pedidos de orçamento, marcações e vendas o site gera. Nas pesquisas com intenção comercial ou local, como «dentista Porto», a pessoa quer marcar, comprar ou ligar, por isso o clique continua a fazer falta.

O que recomendamos na N2A

Não abandones o SEO. Muda o foco. Menos artigos genéricos que a IA resume num parágrafo, mais páginas que respondem a quem está pronto a comprar, e um esforço sério para teres canais que são teus, como email e WhatsApp. O Google continua a ser importante para a maioria das PME portuguesas, mas já não deve ser a única porta de entrada.

Se queres perceber o que está a acontecer ao tráfego do teu site e montar um plano que junte SEO, conteúdo e anúncios, fala connosco. Vê os nossos serviços.

Fontes

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