A Google atualizou a 1 de outubro de 2026 a página onde explica como trata o conteúdo gerado por inteligência artificial (IA). A frase nova é direta: é essencial verificar e rever manualmente todo o conteúdo gerado por IA, para garantir que é rigoroso e de confiança, antes de o publicar.
A mudança chega numa altura sensível. O spam update de setembro começou a 24 de setembro e, na conferência Search Central Live em Barcelona, a 2 de outubro, a equipa da Google explicou que o conteúdo produzido em massa já é um problema maior do que a compra de links. Se usas o ChatGPT, o Claude ou o Gemini para escrever textos do site, fichas de produto ou artigos do blog, isto diz-te respeito.
Resumo rápido
- Desde 1 de outubro de 2026, a Google diz que todo o conteúdo feito com IA deve ser verificado e revisto por uma pessoa antes de ser publicado.
- Usar IA não é proibido. O problema é publicar muitas páginas sem valor para quem lê, o que a Google trata como spam («scaled content abuse»).
- O que fazer: rever factos, títulos, meta descriptions e textos alternativos das imagens, e acrescentar o que só a tua empresa sabe.
O que a Google mudou a 1 de outubro
A página «Using generative AI content», na documentação da Google Search Central, foi revista a 1 de outubro de 2026. Segundo o Search Engine Roundtable, foi a primeira alteração relevante a esta página desde que a versão anterior foi arquivada, em outubro de 2025.
A Google justifica o pedido de revisão humana com a forma como estes modelos funcionam: preveem sequências de palavras, não vão buscar factos a uma base de dados. Por isso, os resultados podem ter erros, aquilo a que se chama «alucinações».
Os pontos principais da página atualizada:
- Verificar tudo à mão antes de publicar, com atenção à exatidão dos factos.
- Rever também os metadados: títulos das páginas, meta descriptions, dados estruturados e texto alternativo (alt) das imagens. Muitas ferramentas geram estes campos sozinhas e ninguém os lê.
- Ser transparente sobre a forma como o conteúdo foi criado, quando isso ajuda o leitor a perceber o contexto.
- Lojas online: a Google pede que as imagens de produto geradas por IA levem os metadados IPTC «DigitalSourceType», que identificam a origem da imagem.
- Sem vantagem no ranking: conteúdo feito com IA não tem prioridade nos resultados. E gerar muitas páginas sem valor para o utilizador pode violar a política de spam.

Os quatro critérios: esforço, originalidade, competência e rigor
No mesmo dia, a Google atualizou a página sobre conteúdo útil («Creating helpful, reliable, people-first content»). Acrescentou uma secção sobre o conteúdo principal da página: o texto, as imagens, os vídeos, as ferramentas (como uma calculadora) e até as avaliações de clientes. Segundo a Google, a qualidade desse conteúdo principal é um dos fatores mais importantes para avaliar uma página.
A página passa também a explicar os quatro atributos que os avaliadores de qualidade da Google analisam:
| Critério | O que a Google quer dizer | Exemplo numa PME |
|---|---|---|
| Esforço | Quanto trabalho humano houve na criação do conteúdo | Fotografias reais da obra, não imagens de banco iguais às dos concorrentes |
| Originalidade | Informação ou perspetiva que não existe noutros sites | Os preços médios que a tua clínica pratica, as perguntas que os clientes fazem ao balcão |
| Talento ou competência | Conhecimento e escrita clara para o tema | Um texto sobre implantes revisto pelo médico dentista |
| Rigor | Factos corretos, sobretudo em saúde, dinheiro e segurança | Prazos legais, preços e horários confirmados |
A Google mantém as três perguntas que recomenda a qualquer site: quem fez o conteúdo (há autor identificado?), como foi feito (o uso de automação ou IA é claro para o visitante?) e porquê (foi feito para ajudar pessoas ou só para atrair visitas do Google?).
Em Barcelona, Duy Nguyen, analista de qualidade da Google, resumiu assim, segundo o relato da agência Roast: o que conta é a qualidade, não quem escreveu. Conteúdo fraco pode ser feito por pessoas ou por IA.
O que conta como conteúdo em massa
A política de spam da Google chama-lhe «scaled content abuse»: criar muitas páginas com o objetivo principal de manipular o ranking, e não de ajudar quem as lê, seja qual for a forma como são produzidas. Os exemplos que a Google dá:
- Usar IA para gerar muitas páginas sem acrescentar valor para os utilizadores.
- Copiar feeds, resultados de pesquisa ou textos de outros sites, mesmo que reescritos com sinónimos ou traduzidos automaticamente.
- Juntar pedaços de várias páginas sem acrescentar nada.
- Criar vários sites para esconder a escala do conteúdo.
- Páginas que não fazem sentido para quem lê, mas estão cheias de palavras-chave.
Na conferência de Barcelona, Gary Illyes, da Google, disse que o motor de busca filtra cerca de 40 mil milhões de páginas de spam por dia e que a equipa já usa IA para apanhar mais spam. Os relatos do evento notam que materiais anteriores da Google falavam em páginas «encontradas» por dia, e não «filtradas», por isso o número deve ser lido com essa ressalva.

O que significa para o teu negócio
Para a maioria das PME, a notícia é boa: a Google não proíbe a IA e não exige que escrevas tudo à mão. Exige que alguém responda pelo que está publicado. O risco está nos atalhos.
| Como usas a IA | Risco | O que fazer |
|---|---|---|
| Rascunho de um artigo que depois reescreves com exemplos teus | Baixo | Verificar números e datas, acrescentar fotografias reais |
| Descrições de produto geradas em lote para uma loja online | Médio | Rever pelo menos os produtos que mais vendem e corrigir medidas, materiais e preços |
| Dezenas de páginas «serviço + cidade» quase iguais | Alto | Juntar as páginas ou dar a cada uma informação real dessa zona |
| Artigos publicados automaticamente, sem leitura humana | Alto | Parar a publicação automática e rever o que já está online |
Imagina uma imobiliária no Algarve que gerou 40 páginas, uma por freguesia, com o mesmo texto e só o nome a mudar. É exatamente o tipo de padrão que a política de spam descreve, e que já explicámos no guia de SEO local. Uma loja online de moda com 300 descrições escritas por IA e nunca lidas corre outro risco: erros de tamanho ou de material que geram devoluções e avaliações negativas.
Se o teu tráfego mudou nas últimas semanas, compara as datas com o spam update de setembro no relatório de desempenho da Search Console. Explicamos como ler esses dados no artigo sobre a Search Console e as respostas de IA e no guia sobre a queda de tráfego do Google.
O que fazer agora
- Faz o inventário. Lista as páginas e artigos onde usaste IA. Começa pelas que têm mais visitas e pelas que falam de preços, saúde ou prazos.
- Verifica os factos. Cada número, data, preço e nome tem de bater certo com uma fonte que consigas abrir.
- Revê os campos escondidos. Títulos, meta descriptions, texto alternativo das imagens e dados estruturados. São os primeiros a sair errados das ferramentas automáticas.
- Acrescenta o que só tu sabes. Fotografias da equipa e do espaço, casos reais (com autorização), perguntas frequentes dos teus clientes, a opinião de quem trabalha na área.
- Identifica quem escreveu. Um autor ou a equipa responsável, com uma linha sobre a experiência no tema.
- Corta ou junta páginas fracas. Melhor 10 páginas boas do que 50 iguais.
- Escolhe bem a ferramenta. Se ainda estás a decidir, vê a nossa comparação entre ChatGPT, Claude e Gemini para marketing.
Se usas IA também em anúncios ou em chatbots, lembra-te de que há regras europeias de transparência: as do AI Act aplicam-se desde 2 de agosto de 2026, com algumas partes adiadas. Explicamos tudo no artigo sobre o AI Act e a identificação de conteúdos com IA.
Perguntas frequentes
O conteúdo feito com IA tem vantagem no ranking do Google?
Não. Segundo a Google, conteúdo feito com IA não tem prioridade nos resultados. O que pesa é a qualidade do conteúdo principal da página, que a Google considera um dos fatores mais importantes para a avaliar. Em Barcelona, Duy Nguyen, analista de qualidade da Google, resumiu, segundo o relato da agência Roast, que conta a qualidade e não quem escreveu: conteúdo fraco pode ser feito por pessoas ou por IA.
Posso ter uma página por cidade para o mesmo serviço?
Podes, desde que não sejam cópias com o nome trocado. Dezenas de páginas «serviço + cidade» quase iguais, com o mesmo texto e só o nome da zona a mudar, são exatamente o tipo de padrão que a política de spam da Google descreve como conteúdo em massa. Se as tuas páginas são assim, junta-as ou dá a cada uma informação real dessa zona.
Tenho de dizer que um texto foi escrito com IA?
A Google recomenda essa transparência quando ajuda o leitor a perceber o contexto. Uma das três perguntas que sugere a qualquer site é precisamente como foi feito o conteúdo, ou seja, se o uso de automação ou IA é claro para o visitante. Em anúncios e chatbots há também as regras de transparência do AI Act, que se aplicam desde 2 de agosto de 2026, explicadas no artigo sobre o AI Act e a identificação de conteúdos com IA.
As imagens de produto feitas com IA precisam de alguma marcação?
Sim, segundo a Google. A página atualizada a 1 de outubro de 2026 pede que as imagens de produto geradas por IA, nas lojas online, levem os metadados IPTC «DigitalSourceType», que identificam a origem da imagem. Revê também o texto alternativo (alt) dessas imagens: muitas ferramentas geram estes campos sozinhas e ninguém os lê.
O que recomendamos na N2A
Usa a IA para ganhar tempo no rascunho e na pesquisa, mas trata cada texto publicado como se tivesse a tua assinatura, porque tem. Uma regra simples funciona bem numa PME: nada vai para o site sem ser lido por alguém que conhece o negócio e sem pelo menos um elemento próprio (uma fotografia real, um número da empresa, uma resposta a uma dúvida de cliente).
Se tens um site ou um blog com muito conteúdo gerado por IA e não sabes por onde começar, podemos ajudar a rever as páginas com mais impacto e a definir um processo de publicação seguro. Vê os nossos serviços ou fala connosco.
Fontes
- Google Search Central: Using generative AI content (atualizado a 1 de outubro de 2026)
- Google Search Central: Creating helpful, reliable, people-first content
- Google Search Central: Spam policies for Google web search (scaled content abuse)
- Google Search Status Dashboard: incidentes de ranking
- Search Engine Roundtable: Google, manually factcheck and review AI-generated content
- Search Engine Roundtable: Google helpful content doc with new main content sections
- Search Engine Roundtable: Phase two of the Google September 2026 spam update
- Roast: Google Search Central Live Deep Dive Barcelona, recap do 3.º dia






