A Google transformou o guia «Data Strength» do Google Ads num manual detalhado sobre que dados próprios ligar às campanhas, noticiou o Search Engine Roundtable a 13 de outubro de 2026. A mensagem é direta: quanto mais conversões a conta conseguir medir, melhor os lances automáticos trabalham. Para uma PME, isto é uma lista de verificação a fazer agora.
Até aqui, a página de ajuda era um resumo curto. Segundo esse site especializado, passou a ter instruções passo a passo, números de desempenho e uma lista de sinais que a Google quer receber. Para quem anuncia, o ponto não é técnico: se o Google Ads não sabe que um clique deu uma venda ou uma marcação, otimiza às cegas.
Pensa numa clínica dentária em Coimbra que recebe pedidos pelo formulário do site e marca o resto por telefone. Se só o formulário é medido, a campanha acha que metade dos cliques não deu nada. É esse buraco que o guia quer fechar.
Resumo rápido
- A Google reviu o guia de «força dos dados» do Google Ads e recomenda ligar site, Google Analytics e dados offline (CRM, loja física).
- Pede pelo menos 3 identificadores por conversão e que envies todas as conversões, não só algumas.
- Os ganhos citados são números da própria Google. Antes de mexer, confirma o consentimento de cookies e a tua política de privacidade.
O que a Google mudou no guia
O guia está organizado em quatro passos. Primeiro, ligar as fontes de dados: a etiqueta da Google em todo o site, a ligação entre o Google Analytics e o Google Ads e as fontes offline através do Data Manager, a ferramenta da Google para juntar dados de CRM, nuvem e lojas físicas. Segundo, maximizar os sinais enviados em cada conversão. Terceiro, usar as campanhas e os lances com IA. Quarto, provar o retorno com testes de incrementalidade.
A recomendação mais concreta está no segundo passo. A Google pede que cada conversão leve «pelo menos 3 sinais identificadores» e que envies todos os eventos de conversão, não um subconjunto. Os sinais listados são o email e o telefone (encriptados por hash antes de saírem do teu lado), o endereço IP, o ID da transação, o identificador do clique no anúncio (GCLID), atributos da sessão e os parâmetros de URL que a Google usa em iPhone e navegação privada.

Os números que a Google apresenta
O guia vem cheio de percentagens. São todas da própria Google, com médias de anunciantes no mundo inteiro, e não garantem nada a uma conta em Portugal. Servem para perceber onde a Google acha que está o maior ganho.
| Ação recomendada | Resultado médio indicado pela Google |
|---|---|
| Ligar o Google Analytics ao Google Ads | Correlação com 23% mais conversões e 10% menos custo por conversão |
| Usar o Google tag gateway (etiqueta servida pelo teu domínio) | 14% mais conversões observadas e até 7% menos custo por aquisição |
| Conversões otimizadas na Pesquisa, com lances por valor | 8% de retorno incremental do investimento em anúncios (ROAS) |
| Juntar conversões de várias fontes no Data Manager | Mediana de 13% mais conversões atribuídas |
| Enviar o endereço IP nas conversões | Até 3% mais conversões observadas na Pesquisa |
| Usar listas de clientes (Customer Match) como sinal | 5,3% mais conversões |
Repara que a primeira linha fala em correlação, não em causa. Contas que ligam o Analytics tendem a ser contas mais bem geridas no geral. Lê os números como uma ordem de prioridades, não como uma promessa.
O que significa para uma PME em Portugal
A boa notícia é que a parte que mais pesa não custa dinheiro. Ligar o Google Analytics ao Google Ads e importar as conversões certas faz-se nas definições das duas contas. Ativar as conversões otimizadas (enhanced conversions), que enviam o email ou o telefone do cliente encriptado com SHA256 para a Google o cruzar com contas Google com sessão iniciada, também é uma opção dentro do Google Ads.
O Google tag gateway já é outra conversa. Faz com que a etiqueta da Google seja carregada pelo teu próprio domínio e não por um domínio da Google. A configuração passa por um CDN como a Cloudflare ou pelo Google Cloud, por isso é trabalho para quem gere o site. Numa loja online com volume, pode compensar. Num restaurante com 20 reservas por semana feitas pelo site, a prioridade é outra.
E há um ponto que o guia não resolve por ti: o RGPD. Enviar emails, telefones ou IP de clientes para a Google é tratamento de dados pessoais. A Google exige que cumpras as políticas de dados de clientes antes de ativar as conversões otimizadas, e na Europa as etiquetas têm de respeitar o que a pessoa escolheu no banner de cookies. O modo de consentimento da Google existe para isso: passa a escolha do visitante às etiquetas do Analytics e do Ads e ajusta o que elas fazem.

Por onde começar: lista de verificação
- Confirma que mede o que importa: no Google Ads, vê em Objetivos que conversões estão ativas. Formulário, chamada, compra, marcação. Se falta uma, a campanha está a otimizar só para parte do negócio. Explicámos como escolher estas métricas em como medir resultados de marketing digital numa PME.
- Liga o Google Analytics ao Google Ads: é gratuito e é o passo com a correlação mais alta no guia.
- Verifica o banner de cookies: as etiquetas só devem medir o que o visitante aceitou. Vê o nosso guia sobre banners de cookies em 2026.
- Ativa as conversões otimizadas se tens formulários ou loja online, depois de atualizar a política de privacidade a dizer que partilhas dados encriptados com a Google para medir anúncios.
- Traz as vendas offline: se fechas negócio por telefone ou na loja, importa essas conversões a partir do CRM ou de uma folha de cálculo. É aqui que muitas contas de serviços locais perdem mais sinal.
- Deixa o Google tag gateway para depois, a não ser que tenhas loja online com volume e alguém técnico para o configurar.
- Só então mexe nos lances: o guia empurra para lances automáticos e campanhas como o AI Max e a Performance Max. Sem dados fiáveis, isso é entregar o orçamento à máquina sem mapa. Vê o que rever no AI Max no Google Ads.
Perguntas frequentes
O que é a força dos dados (data strength) no Google Ads?
É o nome que a Google dá à qualidade e quantidade de dados próprios que uma conta envia: conversões medidas no site, ligação ao Google Analytics, dados de clientes encriptados e vendas offline. Segundo a Google, quanto mais completos forem estes sinais, melhor os lances automáticos e as campanhas com IA encontram clientes.
As conversões otimizadas do Google Ads são legais na Europa?
Podem ser usadas, mas tens de cumprir o RGPD e as políticas de dados de clientes da Google. Os dados são encriptados com SHA256 antes do envio, mas continuam a ser dados pessoais. Tens de respeitar o consentimento dado no banner de cookies e explicar esta partilha na política de privacidade.
Uma PME pequena precisa do Google tag gateway?
Na maioria dos casos, não para já. A configuração exige um CDN como a Cloudflare ou o Google Cloud. Ligar o Google Analytics, medir todas as conversões e importar vendas offline costuma ter mais impacto e custa menos. O gateway faz mais sentido em lojas online com muitas compras.
Os números do guia da Google são garantidos?
Não. São médias calculadas pela própria Google com anunciantes de todo o mundo, e algumas são só correlações. Uma conta pequena em Portugal pode ter resultados muito diferentes. Usa-os para decidir por onde começar, não para prever quanto vais vender a mais.
O que recomendamos na N2A
Antes de pensar em ferramentas novas, faz uma auditoria simples: que conversões estão a ser medidas, se batem certo com as vendas reais e se o banner de cookies está bem ligado às etiquetas. Muitas vezes, é isto que falta numa conta pequena, mais do que tecnologia.
Se queres ajuda a pôr a medição em ordem antes de escalar as campanhas, vê os nossos serviços de Paid Media ou fala connosco.
Este artigo é informativo e não substitui aconselhamento jurídico.






